
Correr para o altar dos pobres
Padre Roberto
Em nosso país o nível de exclusão está se tornando cada vez mais crônico, e quanto mais você está ao lado dos pobres mais você sente isso. Quando Jesus diz: "Eu estou com os pobres, o que vocês fizerem a eles é a Mim que estão fazendo"; isso significa que Jesus era pobre. Jesus não veio ao mundo para ser modelo, Ele é o Verbo de Deus, e Deus é pobre em nosso Senhor Jesus Cristo; não tem outro caminho. Claro que isso pode incomodar aos burgueses que tem essa teoria pentecostalista que coloca tudo na prosperidade, todos tem direito de ter muita coisa porque são filhos do dono mundo, mas Deus não é dono mundo, o príncipe deste mundo é satanás.
É um escândalo o quanto se gasta com cachorros, você tem misericórdia de um cachorro e não tem de uma criança que come pão com barro. Por isso tanta hipocrisia toma conta do coração daqueles que dizem crê em Jesus.
Nós católicos temos o vício de doar restos para os pobres - comidas vencidas, roupas velhas - como se o pobre fosse lata de lixo. Nós católicos somos viciados em doarmos os restos para os pobres e gastarmos dinheiro com coisas banais. Jesus não é modelo de pobreza, Ele é pobre por excelência.
Católico não é para fazer filantropia e sim caridade. Muitos vivem de filantropia para assegurar a vida de mordomia. Digo a vocês católicos: "saiam dessa inércia com os mais pobres". Como é triste um pai de família chegar em casa e a mulher não ter nada para cozinhar para os filhos. Não ter arroz com feijão para comer é duro.
“Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo ao Pai, como amasse os seus que estavam no mundo, até o extremo os amou” (São João 13,1). Jesus amou até o extremo. Jesus não fez filantropia, Ele fez caridade. Caridade é mística e filantropia é moral. O Evangelho de Jesus é a caridade perfeita. Jesus não só viveu a pobreza, Ele é pobre na sua essência, no seu despojamento; por isso Ele se identifica com os pequenos e não compactua com os poderosos.
Vocês se recordam do pobre Lázaro do Evangelho, vocês sabem que ele é o Senhor, o rico da parábola não tem identidade, o pobre é Lázaro. O rico todos os dias gastava seus bens...

O Ministério da Saúde aprovou para pessoas que desejam mudar de sexo fazerem isso sem pagar nada, mas um pobre fazer uma tomografia não tem chance. Para fazer exames não tem como, mas aborto querem aprovar, e ainda esses hipócritas tem coragem de irem a Missa. Se você é a favor do aborto você não pode ter o Corpo de Cristo em sua boca. Não é a diplomacia que vai te salvar, mas o Evangelho.
Jovem, se sua vocação é o estudo, e você tem a chance de aprofundar, vai como profeta. Hoje a juventude é levada a ser marionetes, isso não é do Evangelho.
O Papa Paulo VI disse no Evangelium Nuntiandi: "o que estão fazendo com o Evangelho de Jesus que não causa mais temor nas pessoas"? O Evangelho de Jesus tem que ser vida, tem que ser sinal de contradição, ele é a pedra angular que os pedreiros rejeitaram.
O pobre não precisa só do seu sustento material, somos realizadores da esperança dos pobres, eles não têm ninguém, eles precisam do Senhor.
Outro vício que nós temos é fazer campanha com o que é dos outros. "Eu ajudo tal família"; mas só usa o que é dos outros, não dá daquilo que é seu.
Quanto mais você é pobre, mais você é livre das ilusões, do modernismo... é o que é diante de Deus. A tua liberdade é a tua beleza.
A pobreza é um mistério porque Jesus o Filho de Deus é pobre. Se você quer seguir ao Senhor aprenda ter compaixão de Jesus naquele que sofre, aprenda ter a misericórdia silenciosa. O Espírito Santo é chamado de pai dos pobres no Veni Creator, Ele vai aonde está os pequenos, humildes, sofridos...
Nunca faça do pobre um objeto, ele precisa do que é pessoal, da caridade que não passa e enche a alma de alegria, ela vai onde não tem amor. Jesus também precisa da nossa misericórdia, principalmente nos que são mais pobres e sofridos.
“Suscitarei sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém um espírito de boa vontade e de prece, e eles voltarão os seus olhos para mim. Farão lamentações sobre aquele que traspassaram, como se fosse um filho único; chorá-lo-ão amargamente como se chora um primogênito” (Zacarias 12,10).
Compaixão é trazer a dor do outro para dentro de você. Traga a dor do outro para dentro de você e faça-o feliz.
Em suas cartas Madre Tereza de Calcutá ao falar dos anos de aridez que ela viveu, diz: "eu não sinto nada. Mas continuo sorrindo ao Senhor Jesus mesmo não sentindo nada. Eu continuo amando os pobres, mesmo não sentindo nada".
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